
Leia a entrevista que o Dr. Pedro Queiroga deu à Leiria Económica, no dia 17 de Fevereiro, e fique a saber mais sobre a palestra..

Pedro Carrilho | Formador em Finanças Pessoais
«O que está em causa não é ter cada vez mais, mas atingir a independência financeira»
17 Fev.
Célia Marques
Pedro Carrilho, autor do livro “O seu primeiro milhão”, vai estar em Leiria no próximo dia 21 de Março, para falar sobre Finanças Pessoais, um evento que conta com o apoio do Leiria Económica. Em entrevista, conta um pouco do seu percurso e deixa um conjunto de dicas úteis para implementar em tempo de crise.
Fale-nos um pouco do seu percurso. Como surgiu o gosto pelo tema do dinheiro?
Sempre me interessei pelo tema do dinheiro, na perspectiva do que fazemos com ele, da gestão das finanças pessoais, do investimento. Li algumas coisas sobre a realidade americana e percebi que faltava em Portugal esta cultura financeira. Estruturei um curso sobre Finanças Pessoais, resultado da adaptação da informação que recolhi e da minha experiência pessoal. Entretanto, foram surgindo outros temas, como o investimento, a fiscalidade, a gestão de finanças pessoais para casais. Fundei a Cash, uma empresa de formação nesta área, que conta com um conjunto de formadores com muita experiência nas áreas da Economia, Gestão e Fiscalidade.
Como surgiu a ideia de editar o livro?
Existe muita falta de acesso a este tipo de informação em Portugal. É um tema que não é ensinado nas escolas. Aplicamos apenas o que os pais nos ensinam. Já dava o curso há um ano e tinha formado centenas de pessoas e resolvi compilar em livro a informação mais relevante. Abrange diversas áreas das finanças pessoais, desde uma parte mais motivacional sobre a relação das pessoas com o dinheiro, passando por métodos de poupança e, depois de conseguir poupar, formas de investimento para multiplicar o dinheiro.
Que feedback tem tido da formação e do livro?
A principal fonte de inscrição nos cursos é o passar da palavra, o que atesta a importância desta formação. Quanto ao livro, esteve seis semanas no top da Fnac. As pessoas dizem, sobretudo, que ganharam métodos para poupar e investir melhor, aprenderam a alinhar o dinheiro com os objectivos, a fazer renegociação de créditos, se for esse o caso.
Qual é o público-alvo das acções de formação e do livro?
A população em geral, com mais de 18 anos, com sensibilidade para o tema, que pretenda estruturar melhor a sua situação financeira, poupar e fazer alguns investimentos. A parte de optimização fiscal dirige-se sobretudo a profissionais liberais e a empresários em nome individual. O curso para casais, como o nome indica, destina-se a casais que pretendam fazer uma melhor gestão do dinheiro a dois, o que é mais complicado do que a gestão individual.
Tem dicas para se atingir “o primeiro milhão”?
O que está em causa não é ter cada vez mais, mas atingir a independência financeira, ou seja, viver bem com o que se tem. O “milhão” é simbólico. O dinheiro não é um fim em si mesmo, mas um meio para subsistir e realizar sonhos. E nem toda a gente precisa de um milhão para o fazer. Os portugueses ganham, em média, pouco, e a regra para atingir a independência financeira é aparentemente simples: gastar menos do que se ganha e investir a poupança para a multiplicar. É uma questão aprender metodologias para o fazer.
Depois de Lisboa e Porto, escolheu a cidade de Leiria para fazer uma palestra sobre Finanças Pessoais. A escolha prende-se com o rendimento médio que se regista na região?
Leiria tem muitos centros empresariais e temos tido algumas solicitações para fazer acções de formação nesta zona. Não tem a ver com o rendimento, até porque as pessoas que têm mais dinheiro são as que poupam mais, e não as que ganham mais. As populações carenciadas, por exemplo, conseguem taxas de poupança muito interessantes. São métodos úteis para todos os níveis de rendimento e quando mais cedo se começa, mais fácil é.
A experiência diz-lhe que os portugueses estão mais vocacionados para a poupança, ou para o consumo?
Começam a estar mais consciencializados para as questões da poupança e do endividamento. Não podemos esquecer que passámos de taxas de poupança de 30%, nos anos 70, para 5 ou 6% no momento actual. E estamos a atravessar uma fase de crise. É importante que se volte a poupar e se diversifiquem as fontes de rendimento. A questão não passa por deixar de consumir, porque isso pode ter consequências drásticas na economia, mas por poupar pelo menos 10% dos ordenados e ter dinheiro de parte para subsistir durante três a seis meses sem trabalho. Muitas pessoas não têm esta almofada de segurança, o que é muito preocupante. Existem boas práticas que se podem implementar. Consumo sim, mas sem esquecer que a poupança é imprescindível. É preciso alinhar as despesas com os objectivos.
Aponte duas ou três dicas fundamentais para se ter uma boa relação com o dinheiro.
Em primeiro lugar, não podemos saber para onde queremos ir se não soubermos onde estamos. Deve ser feito um registo de todo dinheiro que entra e sai, para perceber como se movimenta, e definir um orçamento para cada tipo de despesa, que deve estar alinhada com os objectivos de cada um. Depois, há que aumentar a taxa de poupança e, por último, diversificar as fontes de rendimento, através da aplicação da poupança, que é um motor do investimento. Isto é importantíssimo, sobretudo numa altura em que se vive uma grande precariedade laboral.
Quem deve ir assistir à palestra e porquê?
O público em geral, porque terá acesso a um conjunto de informação que não é ensinada nas escolas e que se apresentará compilada e enriquecida com experiência própria. É uma oportunidade para ficar a conhecer um conjunto de boas práticas que permitem fazer uma boa gestão do dinheiro, consolidar a situação financeira e fazer investimentos. São questões muito relevantes em tempo de crise.
in, www.leiriaeconomica.com
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